Carta aos jornalistas
urubus em volta dos parentes das vítimas, ficam pressionando essas pessoas a falarem em um momento em que gostariam de estarem em silêncio consigo mesmas. O William Bonner apresentando o JN tendo como pano de fundo a tragédia e a UOL tendo como manchete: “número de passageiros aumentou de 186 para .........Ainda hoje vi novamente o caso do Marco Aurélio Garcia. Sem julgar se ele é situação ou oposição, creio que ele fez um gesto que qualquer um faria estando em seu contexto e em um momento privado, e a mídia já o carimbou como um “homem sem coração”. Seria ele um assassino nato? Devido aos inúmeros pré-julgamentos que estamos assistindo todos os dias, voltei a pensar sobre a criação de um Conselho para fiscalizar os jornalistas. Não entendo porque uma pessoa pode execrar injustamente a vida de outra em 1 minuto e continuar na profissão. Não entendo porque um jornalista pode falar o que pensa e nas muitas vezes em que erra n
ão receber nem uma advertência! Não entendo porque os jornalistas se sentem no direito de decidir qual é a melhor versão para os fatos e assim julgar as pessoas sem serem juízes, e não aceitarem se submeter a um Conselho se os próprios juízes o fazem. Porque eles podem divulgar notícias caluniosas sem a mínima responsabilidade? Não entendo porque os médicos (que estão entre a vida e a morte das pessoas) erram e mesmo se sentindo muitas vezes deuses se submetem a um Conselho e os jornalistas não contemplam do mesmo tipo de julgamento. Será que se sentem acima dos deuses?
.........Quero que saibam que percebemos quando vocês tentam nos manipular e também quando fazem sensacionalismo para causar comoção social ao falar demasiadamente em um mesmo assunto. Nós percebemos, estamos aqui. Não gostamos quando vocês exploram a desgraça alheia. Sabemos que o jornalismo ajuda na consolidação da democracia, sabemos que não existe jornalismo perfeito, mas exigimos um mínimo de respeito.








